sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ANOS 70 A DÉCADA DE OURO DAS FOTONOVELAS ITALIANAS


ANOS 70

A DÉCADA DE OURO DAS FOTONOVELAS ITALIANAS

O romantismo desde os primórdios da Idade Média tinha como essência o mais puro sentimento. Esse aspecto subjetivo encontrou sua maior expressão nas artes  plásticas, na escultura, na arquitetura e principalmente na literatura do século XVIII cuja essência  eram os amores não correspondidos , o sofrimento  pelo amado ou amada, os amores proibidos e principalmente nos desejos escondidos, nos sonhos não realizados, e a  expectativa de que a felicidade a qualquer momento poderia ser enfim encontrada onde  a plenitude do amor poderia alcançar seu ápice.
 Nos anos setenta  um público expressivo  legou  essa onda de sentimentalismo tendo como instrumento dois grandes veículos populares de comunicação: a televisão e as revistas de fotonovelas italianas. Era o momento das grandes conturbações políticas no país, que mergulhava na ditadura e que impunha reformas em todos os patamares sociais.
 Dentre as inúmeras tendências dessa mudança, esses veículos  de comunicação representavam uma fatia importantíssima dessa engrenagem. Tanto  a televisão como  as revistas de entretenimento tornaram-se  ferramentas úteis nas manobras do governo militar  para desviar a atenção da sociedade dos diversos conflitos disseminados por todo o País.
Nesse aspecto, um conjunto de idéias contribuíram para fortalecer o ideal do regime. As pessoas deveriam preocupar-se não com política, mais com seus sonhos, seus projetos familiares, o amor desejado que era idealizado nos folhetins televisivos e  nas fotonovelas italianas, ou seja o romantismo explícito deveria exercer um papel fundamental no imaginário desses brasileiros. Essa onda estigmatizou toda uma geração, sua consolidação e influência moldaram o projeto  da ditadura, pois sua popularidade obscureceu toda e qualquer  conscientização política dessa parcela da população brasileira.
A dificuldade de possuir um aparelho de televisão por grande parte da população no início dos anos setenta foi vencida pela facilidade  de se adquirir essas revistas, independente de região  ou localidade. Tanto o preço, como os temas românticos do produto na época, atraía e justificava sua grande popularidade.
As fotonovelas eram importadas da Itália cujos roteiros e fotos traduziam  arquétipos da própria nacionalidade italiana como figurinos , linguagem, tradições.
As histórias variavam em temas policiais, românticos e até sobrenaturais. O formato dessas revistas se moldava ao gosto do público, que nos mesmos padrões de assédio aos astros de Hollywood  e da televisão, cultuavam e acumulavam coleções de revistas com imagens dos seus ídolos.
Dentre eles, os que mais se destacavam eram as atrizes: Michela Roc, Claudia Rivelli, Paola Pitti  e Katiuscia que juntamente com os atores: Jean Mary Carletto, Franco Gasparri e Franco Dani  cativavam um mercado onde os produtos oferecidos em suas páginas de publicidade tinham sucesso garantido.
Eram inúmeras as revistas, dentre as mais importantes: “Grande Hotel”, “Jacques Douglas”, “Luck Martin” dentre outras.
Seguindo essa onda de sucesso, atores e atrizes brasileiros se renderam a essa arte. Revistas populares da época como “Sétimo Céu” e “Amiga” traziam uma novidade: fotonovelas  brasileiras em cores, uma  evolução para a época.
As histórias eram recheadas de dramas, disputas, crimes e até comédias onde através das poses fotográficas, os artistas davam o melhor de si na arte de representar.
Independente das fotonovelas que atendiam ao gosto do governo militar, com seu excesso de romantismo, outras manifestações culturais  que ofereciam alguma resistência em relação ao regime eram  a música, o teatro e o cinema. Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Elis Regina denunciavam em suas canções as atrocidades e as torturas sofridas por  militantes políticos. O cineasta Glauber Rocha concebia produções cinematográficas com metáforas criticando o governo e a falta de liberdade  que o mesmo impunha à sociedade.  Em contrapartida, a sociedade via nas fotonovelas um modelo de entretenimento que não causava mal algum à moral à ética familiar e aos bons costumes. Os artistas italianos dessas fotonovelas, encabeçavam esse Olimpo de deuses adorados que interviam nos sonhos e nos anseios dos brasileiros, que envolvidos em sentimentalismo, fizeram desse produto um marco na história cultural do País. 

1 comentário:

  1. Por favor gostaria de falar contigo.
    herivelton.moreiradacosta@gmail.com
    Não tem um email para me comunicar... poste

    ResponderEliminar